Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou mais de 1.400 ações de despejo, segundo dados divulgados pelo Midiamax — número que reflete o crescimento da inadimplência nos contratos de aluguel no estado. Em Campo Grande, o problema é sentido tanto por pequenos proprietários que dependem do aluguel para completar a renda, quanto por inquilinos que passaram por dificuldades e agora enfrentam o risco de perder o imóvel onde moram.

A lei que rege essas situações é a Lei 8.245/1991, conhecida como Lei do Inquilinato. Ela estabelece os direitos e deveres de ambos os lados e define os caminhos para solução de conflitos. Mas, na prática, muita gente não sabe quando pode entrar com despejo, quanto tempo o inquilino tem para sair ou o que acontece se o aluguel não estiver pago há meses.

O Primeiro Passo: A Notificação Extrajudicial

Antes de qualquer ação judicial, o caminho mais inteligente — e muitas vezes o mais rápido — é a notificação extrajudicial. Esse documento, enviado ao inquilino por cartório ou oficial de justiça, formalmente comunica a inadimplência e concede prazo para regularização.

No caso de falta de pagamento, a notificação não é obrigatória para entrar com a ação — a lei permite ir direto ao judiciário. Mas ela serve para registrar que o proprietário agiu de boa-fé, que deu oportunidade ao inquilino, e pode acelerar o processo na prática. Em Campo Grande, cartórios realizam esse serviço com agilidade e custo acessível.

Quando Cabe Ação de Despejo?

A Lei do Inquilinato prevê várias hipóteses além da inadimplência. As mais comuns são:

Cada hipótese tem suas regras específicas. O despejo por uso próprio, por exemplo, exige que o proprietário comprove a necessidade real e não recoloque o imóvel em locação por pelo menos 5 anos após a retomada.

Como Funciona a Ação de Despejo na Prática

A ação de despejo é proposta na Vara Cível da comarca de Campo Grande. O proprietário, por meio de advogado, apresenta a petição inicial com o contrato, os comprovantes de inadimplência ou da infração, e pede a rescisão do contrato e a ordem de desocupação.

O inquilino é citado e tem prazo para contestar. Se não houver contestação, ou se ela for insuficiente, o juiz concede a ordem de despejo. O prazo padrão para desocupação voluntária após a sentença é de 30 dias. Se o inquilino não sair, o oficial de justiça executa o despejo — com arrombamento, se necessário.

“Nas ações de despejo por falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação, é lícito ao locatário evitar a rescisão da locação e o despejo mediante o pagamento do débito atualizado até a data da audiência, incluídas as custas processuais e honorários advocatícios.” — Art. 62, II, Lei 8.245/91.

Despejo Liminar: Quando É Possível Sair Mais Rápido

O artigo 59 da Lei do Inquilinato prevê hipóteses em que o juiz pode conceder o despejo de forma liminar — ou seja, antes mesmo de ouvir o inquilino. Essa medida é excepcional, mas existe. As situações que permitem despejo liminar incluem:

Na prática em Campo Grande, os juízes analisam com cuidado os pedidos liminares. A concessão depende da robustez dos documentos apresentados e da clareza da situação jurídica.

A Purgação da Mora: O Inquilino Pode Salvar o Contrato

A lei dá ao inquilino inadimplente uma chance de evitar o despejo: a purgação da mora. Se o inquilino pagar integralmente o débito — aluguel atrasado, encargos, correção, juros, custas e honorários advocatícios — até a audiência de instrução, o contrato é mantido e o processo é extinto.

Esse direito só pode ser exercido uma vez a cada 24 meses. Se o inquilino já usou a purgação recentemente e ficou inadimplente de novo, não poderá se beneficiar da mesma prerrogativa.

Em Mato Grosso do Sul, é comum vermos inquilinos que não sabem desse direito e deixam o prazo passar. Outros chegam ao escritório depois que a ação foi proposta perguntando se ainda dá tempo — e muitas vezes, dá. Por isso, ao receber uma citação de despejo, o primeiro passo é procurar um advogado imediatamente.

Contratos Com e Sem Garantia: a Diferença no Processo

A lei trata de forma diferente os contratos com e sem garantia (fiador, seguro-fiança, caução ou cessão fiduciária). Quando há fiador, ele deve ser citado junto com o inquilino e pode ser responsabilizado pelo débito. Quando não há garantia nenhuma, o proprietário tem acesso a procedimentos um pouco mais céleres em determinadas hipóteses.

Nos contratos sem garantia com inadimplência, o proprietário pode pedir o despejo liminar mediante depósito de 3 meses de aluguel como caução — valor que é devolvido ao final, se ele vencer a ação. Isso acelera consideravelmente o processo em Campo Grande.

Particularidades em Campo Grande e no Interior de MS

O mercado locatício de Campo Grande tem algumas características que influenciam essas ações. A cidade cresceu muito nos últimos anos, com forte demanda em bairros como Tiradentes, Rita Vieira e Universitário, e os contratos às vezes são feitos de forma informal, sem garantias adequadas, o que complica a execução.

No interior de Mato Grosso do Sul — Dourados, Três Lagoas, Corumbá —, os processos costumam tramitar em comarcas menores, com prazos às vezes mais curtos por menor volume de processos, mas também com menos estrutura para execuções complexas.

Precisa de ajuda com ação de despejo?

O escritório Jossandro Oliveira Advogados Associados, em Campo Grande/MS, atua há mais de 20 anos com defesa estratégica em direito locatício e contratos imobiliários. Fale conosco pelo WhatsApp (67) 3023-0011 ou agende um atendimento presencial em nosso escritório na Av. Presidente Tancredo Neves, 1.105 — Jardim das Hortências.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora uma ação de despejo em Campo Grande?

Depende muito da situação. Casos sem contestação e com documentação bem preparada podem ser resolvidos em 3 a 6 meses. Com contestação e perícias, pode levar mais de um ano. O despejo liminar, quando cabível, pode ocorrer em semanas.

O inquilino pode ser despejado no dia seguinte ao atraso do aluguel?

Não. A lei exige o trâmite processual, que inclui citação do inquilino e prazo para resposta. O processo mais rápido ainda leva alguns meses. O único caso de saída mais ágil é o despejo liminar, e mesmo assim há requisitos específicos.

O que acontece com os pertences do inquilino no despejo?

O oficial de justiça pode retirar os pertences do imóvel durante a execução do despejo, depositando-os em local indicado pelo proprietário ou em depósito judicial. O inquilino pode recuperar seus bens, mas eventuais custos de armazenagem podem ser cobrados dele.

Posso despejar o inquilino sem advogado?

Tecnicamente é possível nos Juizados Especiais para causas de menor valor, mas ações de despejo costumam envolver detalhes técnicos que tornam a representação por advogado essencial para o sucesso. Um erro processual pode atrasar o processo por meses.

O fiador pode ser acionado na ação de despejo?

Sim. O fiador responde solidariamente pelo débito locatício e deve ser incluído na ação. Ele pode ser executado pelo valor total da dívida, incluindo aluguel, encargos e custas. Há casos em que o bem do fiador responde pelo débito do inquilino.

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